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Selecção de Janeiro - 2007 - Esgotado
 
As Sortes 2005

É a 2ª vez na existência do Clube, faz quase 4 anos, que um branco abre a selecção mensal! Distinção de que apenas o Redoma Reserva se podia gabar (ver Setembro 2004). Na prática, supomos que isto traduz a dificuldade de qualquer um em convencer os amigos, com que sai para jantar, a pedir um branco... Pois bem, este vinho nascido nas velhas e recônditas ladeiras do rio Sil, na vizinha Galiza, é a oportunidade que se impõe e cujo imenso carácter não deixa alternativa. Percebe-se de imediato o abalo que provocou do outro lado da fronteira e porque o experiente José Peñin lhe outorgou o prémio Sibarita para vinho revelação de Espanha.
De facto, é uma tremenda surpresa: toda a sua pungente frescura e fineza nos gritam "Chablis", embora tamanha intensidade e estrutura sugiram algo mais poderoso; toda a sua mineralidade e leve toque fumado apontam para o Reno, embora o relevo frutado, cítrico, e tacto gordo em boca nos tragam de volta ao nosso universo. Reunião de qualidades tanto mais impressionante quanto se sabe que provém de uvas Godelho, peculiar e quase esquecida casta da região dos Verdes (atenção à confusão que já circula por aí com Gouveio/ Verdelho no Douro), do ainda mais remoto lugar de Val do Ribei, na denominação Valdeorras.

O autor da "descoberta" é Rafael Palacios, irmão do consagrado Álvaro Palacios, pioneiro e mentor do Priorat (L`Ermita), ambos herdeiros de uma conhecida família da Rioja. Aliás, antes da força da natureza apelidada As Sortes, o mais novo dos Palacios tinha já enriquecido a adega familiar com um dos melhores brancos riojanos, o Plácet. Curioso é que, quando a família chamou o mais velho de volta a Alfaro, na Rioja, para modernizar a "bodega" Herencia Remondo, foi a vez de Rafael partir em busca da sua sorte, para fazer o "seu" vinho. Encontrou-a(s) em Valdeorras, em 12 pequenas parcelas, num total de cerca de 10 hectares. Assim chamadas - Sortes - a partir da popular designação galega de parcelas de heranças "sorteadas" em testamento.

Características
Região: Valdeorras (Galiza - Espanha)
Castas: Godello 100% (uvas provenientes de 11 parcelas - O Soro, Chão do Couso, A Coalleira, Valdanta, Os Caneiros, Souto dos Santos, Valverde, Falcoeira, Valdauga, O Castiñeiro, O Olivar - a cerca de 700m de altitude).
Vinificação: Fermentação alcoólica em balseiros de 3 mil litros.
Estágio: 6 meses em balseiros sobre as bôrras finas.
Teor Alcoólico: 13,7% vol.
Enólogo: Rafael Palacios e Sebastien Defer
Informação: Temperatura de serviço aconselhada entre 8 e 10ºC.
O nosso Preço: 2 x 29,90 EUR

Pape 2005

Um grande Pape! Como se apresenta nesta altura, para nós e por comparação com os anteriores, de todos o que mais nos agrada. Talvez menos volumoso, por exemplo, que o anterior (2004), mas de conjunto mais equilibrado. Dito de forma simples, o vinho está muito bonito. Em boa verdade, ninguém garante que prolongue a exuberância ou que dentro de 1 ano evidencie a mesma forma, mas que, neste momento, está muito bonito, lá isso está! Vivo, raçudo como sempre foi, mas redondo, muito bem equilibrado entre maceração, extracção e acidez. Na sua 4ª edição e, quem sabe, por já não ser novidade, poucos terão prestado a devida atenção, mas o rótulo atinge aqui o seu expoente.

De resto, a mudança continua. Ou não se tratasse de Álvaro Castro... O ano passado (ver selecção Abril 2006), e depois de ter adquirido uma vinha arrendada, que lhe permitiu ampliar o leque de opções à disposição e o peso desse vinhedo no Pape, o produtor substituiu a Tinta Roriz por idêntica percentagem de Baga. Pois bem, o 2005 evolui no mesmo sentido: Álvaro aumenta ainda a presença de Baga, para emparceirar de igual para igual com a sua já célebre Touriga (50/50), aprimorando a mistura que esteve na base da experiência, desde os lotes em causa às madeiras utilizadas.
Mas, mais que percentagens ou o carácter varietal, é ao ano que se deve a beleza do conjunto. Embora à partida pudesse ser mais problemático na vinha, porque mais chuvoso, 2005 acabou por ser um ano mais equilibrado que o anterior, ou até que 2003. Sem exageros que colocassem, por exemplo, problemas graves do ponto de vista fitossanitário, mas com a água mais tempo presente ao longo do ciclo vegetativo. Ambiente menos dado a concentrações, mas resultando numa maturação muito sã. Na garrafa, resultando em maior riqueza aromática. Além da já mencionada acidez, vinho com mais aromas florais, mais ao gosto do produtor e da sua vontade de aprofundar o passado da região. Afinal, convém recordar, foi dessa vontade que nasceu o Pape!

Características
Região: Dão
Estágio: Touriga Nacional 12 meses em barricas novas François Frères e Baga em barricas usadas, do 3º ano.
Enólogo: Álvaro Castro
O nosso Preço: 2 x 26,70 EUR

Amantis 2004

Querem saber como é importante o "timing", o momento de colocação do vinho no mercado? Simples, provem o novo tinto da Quinta Dona Maria. Mais acessível e muito bem evoluído, ampliando o portfolio da casa com uma gama que o Reserva (2003) não abarcava. Diferente, moderno, digamos, num perfil muito mais internacional. Como a combinação de castas deixa, desde logo, adivinhar. E desse ponto de vista, objectivo atingido com distinção: numa altura em que os rótulos saem cada vez mais cedo para o mercado, quase "inacabados", este Amantis chega-nos num óptimo ponto de afinação e polimento!

A segunda nota que suscita, é a transposicção do tradicional poderio dos vinhos de Júlio Bastos para esse perfil mais evoluído e guloso. Muito menos duro, taninos suaves, muito polido mas de óptima presença: corpo, volume e sobretudo notável frescura, quase elegante, a sustentar o conjunto. À temperatura correcta, em momento algum se adivinha a graduação. Voluptuosidade rica, acessível, sem exigências de maior para paladares que a frequentem, decerto conquistará uma corte de apreciadores. Fazendo jus ao título Amantis, do latim "quem ama", em honra do amor de D. João V dispensou a Dona Maria, cortesã por quem o rei se apaixonou e a quem ofereceu a Quinta nos arredores de Estremoz.

Casa apalaçada do Séc. XVIII, é um ponto de referência pela sua história e beleza. "A melhor e mais bela casa de campo da região, conservada nas linhas originais de arquitectura Barroca e Joanina..."(Inventário Artístico de Évora). Hoje em dia também conhecida como Quinta do Carmo, por aí se ter construído, em 1752, uma capela consagrada a Nª Srª. do Carmo. E por ter sido essa a marca, título da sociedade agrícola, que o seu proprietário vendeu aos franceses da Domaines Rothschild (Lafite), mantendo na sua posse a casa e a adega da Quinta. A que, entretanto, com a ajuda do enólogo Luís Duarte, voltou a juntar as vinhas mais interessantes. Para os amantes do vinho...

Características
Região: Alentejo
Castas: Syrah (30%), Cabernet Sauvignon (30%), Petit Verdot (30%) e Touriga Nacional (10%).
Teor Alcoólico: 14,5% vol.
Produção: 16500 garrafas.
Enólogo: Sandra Gonçalves
Informação: Abrir de preferência 2 horas antes de consumir e servir a 18-19ºC.
O nosso Preço: 2 x 15,90 EUR


Selecção de Janeiro - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
As Sortes 2005 2 x 29,90 EUR
Pape 2005 2 x 26,70 EUR
Amantis 2004 2 x 15,90 EUR
Totais:   145,00 EUR

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