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Selecção de Fevereiro - 2005 - Esgotado
 
Quinta do Mouro 2002

Surpreendente! Não foi 2002 um ano desfavorável no Alentejo? Claro que sim. Para não dizer pior. Por volta de meados de Setembro, mais precisamente a partir do dia 12 desse mês, começou a chover e nunca mais parou. Aliás, provado há menos de um ano, estávamos longe de imaginar que viesse a ser uma escolha do clube. Mas essa é também a magia do vinho.... Daí para cá, registou uma espectacular evolução em garrafa e o que provamos hoje está seguramente ao nível dos melhores Quinta do Mouro!

Ainda fechado, preso de aromas e taninoso, longe do seu momento ideal de consumo, mas com tudo para lá chegar. Maior volume, corpo e concentração, por exemplo, que a colheita anterior. Confrontado com a comparação e fazendo uso da sua habitual frontalidade, Miguel Louro, o proprietário, não hesita: "este dá 10 a zero ao 2001...!" Bom, não vamos tão longe, mas diríamos que está de facto muito mais perto de um Rótulo Dourado que o seu antecessor. Estamos mesmo em crer que seria esse o seu destino, caso o mercado nacional suportasse esta quantidade de garrafas ao preço daquele. Não é o caso, a bem da bolsa dos apreciadores... Em termos qualitativos, aí sim, chegará a um nível idêntico. Não será demais repetir, desde que lhe dêem algum tempo para limar os taninos, ainda um pouco agressivos, e deixar sobressair toda a matéria balsâmica que já evidencia. De resto, tudo está já muito bem embrulhado em perfeita acidez e na viscosa textura que é marca da casa.

Segredo para excelente resultado em ano tão difícil? Não há, claro, factor que por si só constitua explicação cabal. Como sempre, a resposta está no tremendo esforço do produtor ao longo do ano. A começar na poda em verde feita em Junho, deitando mais de metade da fruta ao chão. Na sua composição conta também com menos Cabernet que o habitual. E esta casta foi precisamente a única colhida já debaixo das primeiras pingas de chuva. Detalhes que somados dão aquele que é o melhor alentejano 2002, de quantos provamos até ao momento !

Características
Região: Alentejo
Castas: Aragonês (60%), Alicante Bouschet (20%), Touriga Nacional (13%) e Cabernet Sauvignon (7%).
Estágio: 12 meses em barricas de carvalho francês.
Teor Alcoólico: 14,2% vol.
Produção: 25 mil garrafas.
Enólogo: Miguel Louro e Luís Duarte
Informação: Este frio não ajuda, mas os calores da Primavera vão decerto fazê-lo evoluir. Por essa altura ou lá mais para o Verão, mostrará já um perfil mais civilizado. Igualmente austero e firme, mas muito menos duro.
O nosso Preço: 2 x 24,90 EUR

Château de Fonsalette 1998

Um nome mítico e uma colheita esgotadíssima no mercado internacional! Fonsalette é propriedade da família Reynaud, que elabora ali vinhos similares ao lendário Château Rayas - de facto, também é elaborado em Rayas, pois Fonsalette não possui instalações - mas sob a denominação genérica Côtes-du-Rhône. Ou seja, um expoente mundial da casta Grenache, oriundo de quem rivaliza com Beaucastel no trono de Châteauneuf-du-Pape. Com uma diferença, Rayas é o único châteauneuf no panteão dos míticos franceses, ao lado dos Mouline de Guigal, Chave, Pétrus, Romanée-Conti e outros.

Como explicar então o privilégio português de uma colheita histórica? Cortesia de Emmanuel Reynaud e... 2 cêntimos! Nem mais, entre tanta história de Rayas (ver links) esta passou-se connosco e merece a pena contar. Em pleno pátio do Château des Tours (proriedade particular do sucessor de Jacques Reynaud) tentávamos nós convencer o responsável de Rayas da importância de apresentar os seus vinhos no nosso país. Tarefa ingrata, está bom de ver, quando um miúdo de 6 anos interrompe a conversa: "portuguais, portuguais?...vous avez une piéce de 2 centimes?" Era o filho de Emmanuel e, claro, não só se arranjou a moeda em causa como a colecção completa de euros portugueses. Sorrisos, gelo quebrado e resposta do proprietário: "ok, como é a primeira vez para Portugal, começamos com algo mais feito, mais maduro... 98, acham bem?" Escusado será dizer que só não achamos melhor emprego para as ditas moedas.

Não fossem critérios de proximidade, merecia inclusive honras de abertura. Mesmo sendo o menos óbvio de todos. Por representar um horizonte inédito para a maioria dos apreciadores nacionais. Porque é difícil imaginar rótulo de culto mais atípico, fora do chamado "mainstream". Pelo contrário, estes vinhos são a antítese da modernidade: cor aberta, corpo médio, mas extraordinário perfume, equilíbrio e incrível aptidão para envelhecer. O que os torna incensados em certos círculos e difíceis, muito difíceis de apanhar, mesmo na arena internacional.

Informação Complementar
Rayas e Fonsalette
O Sul do Ródano

Características
Região: Côtes-du-Rhône (França)
Vinificação: Elaborado da mesma forma que Rayas, Fonsalette provém de 11 hectares com preponderância de Grenache, mas com algum Cinsault e Syrah. Esta última, de cepas provenientes da vinha de JL Chave, em Hermitage, provavelmente o melhor produtor de Syrah do planeta.
Teor Alcoólico: 15% vol.
Produção: 14 mil garrafas.
Enólogo: Emmanuel Reynaud
Informação: Consumir 2005-2015
O nosso Preço: 1 x 39,50 EUR

Casal Figueira 1995 Branco

Vem na altura certa. Quando a cruzada pelos brancos começava a esmorecer, à míngua de munições, surge como argumento poderoso. Suficientemente rico para relançar a causa junto dos apreciadores. Mais e menos experimentados. Para uns, prova que branco não é "todo igual", para outros, dispensa palavras. O vinho, os 10 anos de maturação, com nuances de mel e chá, embrulhadas numa acidez ainda perfeita, falam por si!
Atenção, não que o consideremos um grande, grande vinho (grande aqui é ao nível do melhor que se faz no mundo). Apenas bom, bem feito, com muito boa fruta. Mas, dado o ponto a que Portugal chegou em matéria de brancos e a este preço, a sua boa evolução torna-o um caso raro. Talvez o único suficientemente maduro para nos obrigar a (re)pensar e, quem sabe, (re)tomar o gosto por brancos mais evoluídos.

Mas, como reaparece uma década depois? A partir de um feliz mal entendido. Uma amostra sem rótulo, da primeira colheita do produtor. Convencidos nós que era de 96 e como do vinho desse ano não guardávamos grande opinião, foi parar à prateleira das curiosidades. Até ao encontro promovido por um conhecido fórum vínico (os5às8). Aí, o que era um contributo fácil e acessível mostrou ser bastante mais que isso. A ponto de voltarmos à carga junto do produtor, onde nos esperava outra surpresa: não só havia vinho disponível, como a primeira folha colhida por António Carvalho em Casal Figueira remontava de facto a 95. Curiosamente, ano parecido com o que hoje vivemos - extremamente seco, com escassa precipitação e fruta sem ponta de podridão.

Sendo a primeira colheita, tudo foi passado à lupa. Da escolha bago a bago, às noites em claro frente à velha prensa vertical, à média de 12h por prensagem, para obter um mosto mais limpo e puro. Ao limitar as impurezas, essa suave e lenta prensagem reduz também a quantidade de bôrras, aumentando a sua qualidade. E como quem começa não se pode dar ao luxo, o estágio decorreu em cuba, na companhia daquelas bôrras finas. Madeira é coisa que este vinho nunca viu!

Informação Complementar
Belas pingas (Público)
Casal Figueira em Espanha

Características
Região: Estremadura
Castas: Roussane (60%), Marsanne (25%) e Arinto (15%).
Vinificação: Sem recurso a bombagens ou esmagamentos mecânicos prejudiciais, os mostos foram obtidos directamente por uma longa e suave prensagem (em prensa idêntica às usadas em Champagne), condição considerada capital na vinificação de grandes brancos. Do mesmo modo, não houve leveduras, enzimas ou defecação de mostos.
Estágio: 18 meses em depósito com as bôrras finas.
Teor Alcoólico: 13,8% vol.
Produção: 5 mil garrafas.
Enólogo: António Carvalho
O nosso Preço: 2 x 14,85 EUR

Manyetes de Clos Mogador 2002

Terminamos como podíamos começar. Pretendemos que seja assim a modos que a cereja no topo do bolo, pois é sobre este que recai a nossa preferência pessoal. Por ser de René Barbier (Clos Mogador). Depois, pela mensagem que encerra e o desafio intelectual que apresenta. Vindo de quem vem. Um caso cada vez mais raro, quase único, no mundo do vinho. Um produtor que não planta; faz vinha da sua vinha. Reproduz apenas, cepa a cepa, o melhor que já possui. E espera. Espera 8, 9, 10 anos, o que for preciso para colher. Para que os raquíticos pés de Garnacha vinguem em solo tão pobre como o do Priorat. E assim mantém a qualidade.

Tímido, quase humilde, o olhar de René não aponta para novas adegas flamejantes, como as que medram nas vizinhanças. Pelo contrário, continua a atravessar um Clos vizinho para chegar ao rincão que ocupou quando "descobriu" o Priorat. O que ganha, gasta-o nos cuidados com que rodeia o vinho e no modo de vida que adoptou: das madeiras novas onde tudo, mas tudo, é feito (talvez a única adega onde não vimos um único depósito de inox ou de cimento), aos painéis solares, estações de água, etc., que garantem a auto-suficiência do seu refúgio. Aliás, só conhecendo René se percebe porque é o único do Priorat que chegou ao topo do mundo e praticamente não ampliou a produção (...nem o preço)!

Os seus olhos azuis brilham, isso sim, uma centena de metros abaixo de Mogador, quando avistamos uma encosta pontuada por velhíssimas cepas de Cariñena. Parecem pequenos "bonsais", em contraste com a Garnacha recém enxertada na ladeira em frente. Esta última confina com Mogador e as duas compõem Clos Manyetes! Idealizado como cruzamento entre velho e novo. Entre a profundidade do "terroir", dada pelas velhas cepas Cariñenas, e os contornos varietais da Garnacha. É essa a mensagem de René, o desafio para este vinho. E, ainda que muitos o bebam apenas como outro grande vinho, basta que alguns o notem no copo para nos darmos por felizes. Por quem um dia sonhou no Douro o que queria fazer no Priorat.

Informação Complementar
Priorat, Barbier e Mogador

Características
Região: Priorat (Espanha)
Castas: Cariñena (70%) e Garnacha (30%).
Vinificação: Viticultura e vinificação idênticas às de Mogador, em total respeito pelo terroir e seguindo princípios da biodinâmica (cultivo sem químicos, uvas colhidas consoante as fases da lua, etc). Ao rendimento baixíssimo de 6 hectolitros por hectare acresce, entre outros cuidados, uma rigorosa selecção na adega, onde uma secular prensa extrai metade do sumo das prensas habituais. A fermentação prolonga-se por 3 ou 4 semanas, depois o vinho passa para outras barricas novas (cascos de carvalho francês de 500 L) onde estagia 1 ano com trasfegas por gravidade de 3 em 3 meses, como em Pétrus (René Barbier foi discípulo de Jean-Claude Berrouet, enólogo do Château Pétrus).
Teor Alcoólico: 14,5% vol.
Produção: 10 mil garrafas.
Enólogo: René Barbier
Informação: Atenção às comparações, num género muito diferente de Mogador. Mais austero, único, de maior guarda este último; mais suave o Manyetes, na conjunção de profundas notas terrosas com a frescura de uma fruta mais leve. Digamos que um arrasa provas de caras, enquanto outro dá para pensar... para beber mais que um copo!
O nosso Preço: 1 x 45,00 EUR


Selecção de Fevereiro - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Quinta do Mouro 2002 2 x 24,90 EUR
Château de Fonsalette 1998 1 x 39,50 EUR
Casal Figueira 1995 Branco 2 x 14,85 EUR
Manyetes de Clos Mogador 2002 1 x 45,00 EUR
Totais:   164,00 EUR

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