HOLANDA ENTRA NO CLUBE DOS PRODUTORES DE VINHOS DOP

HOLANDA ENTRA NO CLUBE DOS PRODUTORES DE VINHOS DOP
A Comunidade Europeia aprovou oficialmente a primeira Denominação de Origem Protegida (DOP) vinícola na Holanda, algo que é em grande parte explicado, segundo os especialistas, pelas mudanças climáticas e a consequente melhoria das condições para a prática da viticultura nos países do norte da Europa.

Um dos responsáveis pelo pedido desta nova denominação de origem é Karel Henckens, que nas margens pedregosas do rio Maas, produz vinhos holandeses com as castas Pinot Noir e Pinot Gris. A nova denominação de “Maasvallei Limburg” abrangerá uma área de mais de 90 km quadrados dos dois lados do rio Maas, no norte da Europa, que flui de França até à Bélgica e Países Baixos, terminando no mar do norte.

Juntamente com as vinhas holandesas localizadas em Wijngoed Thorn, cerca de 10 vinhas belgas integrarão também a nova região de Maasvallei Limburg tendo direito a usufruir da classificação DOP, cerca de 150 anos depois de Napoleão ter imposto o arranque das vinhas naquele país, num ato de proteccionismo dos vinhos franceses, levando os belgas a concentrarem-se na produção de cerveja.

O estatuto de DOP é limitado a alimentos e bebidas "produzidos, processados ​​e preparados numa determinada área geográfica, usando um know-how reconhecido", de acordo com a União Europeia. O vinho Maasvallei Limburg irá assim juntar-se a 15 produtos holandeses com denominações de origem protegida, como os queijos de edam e gouda, os espargos de Brabante e a batata Opperdoezer Round.
 
Para que alimentos ou bebidas recebam o estatuto de DOP, os produtos devem mostrar que são característicos e singulares e que a sua região de origem tem uma história rica para proteger.
 
Os Pinot Noir produzidos nesta região caracterizam-se, segundo os próprios produtores, por terem "taninos macios, bem equilibrados e uma óptima estrutura, sendo normalmente vinhos intensos e persistentes". Outra das variedades cultivadas nesta novíssima região é o Riesling que, devido aos solos calcários e de quartzo de Maasvallei Limburg, apresenta forte mineralidade, bem como notas de especiarias, segundo os produtores.
 
Harry Vorselen, que  produziu em Wijngoed Thorn a sua primeira garrafa em 2004, explicou que as freiras Benedectine já há muito tempo produziam vinho na região, mas que só presentemente, com as mudanças climáticas, a qualidade se tornou superior em qualidade, tendo sido possível a sua produção ter atingido 45 mil garrafas por ano. Segundo este vinicultor holandês da região de Thorn, na Holanda, a temperatura média aumentou, entre abril e outubro, dois graus nos últimos 30 anos. O vale é protegido das chuvas do oeste pelo planalto de Kempen, encontrando-se a cerca de 100 metros acima do nível do mar, o que o torna num local seco, mesmo encontrando-se no norte da Europa.
 
"As mudanças climáticas são um factor bastante importante", disse Vorselen, adiantando: "Nós não temos apenas os benefícios, mas também as coisas más. Temos gelo na primavera e as plantas estão a nascer mais cedo. Em agosto, temos chuvas maiores. Quando chove, chove mais. Mas, em geral, as mudanças climáticas são boas para nós, devido ao aumento da temperatura."

Vorselen produz um branco de Pinot Gris, Dornfelder, Riesling e Auxerros, juntamente com um tinto Pinot Noir e já conquistou prémios internacionais. Ao que referiu, muitos vinicultores franceses e alemães ficaram surpreendidos pela qualidade: "eles duvidam no início mas depois ficam impressionados com a qualidade"- afirma Vorselen, concluindo: " eles pensavam que não podia ser um vinho muito bom, que deveria ser uma coisa de nicho. Mas agora eles estão de facto surpreendidos. Se tivéssemos 200 hectares, aí é que ficariam preocupados ".
 
Segundo Karel Henckens, “os franceses estão bem cientes do impacto das mudanças climáticas na indústria e por isso têm comprado terras na Bélgica. Houve um boom na plantação de vinhas na Bélgica. Todos os anos ouço falar de terrenos que estão a ser comprados para plantar vinha. "

2 Comentários

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      João Castro
      Nov 28, 2017

      Qualquer dia faz-se vinho na Sibéria!

    • Avatar
      António silva
      Nov 29, 2017

      E porque não? A Heineken ainda se mete no negócio dos vinhos.

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