VINHO, PODER E POLÍTICA …

VINHO, PODER E POLÍTICA …
Parece estar a desenhar-se em Portugal nova reforma no sector do vinho (… pelo menos a ser preparada futura discussão pública …), nomeadamente no que diz respeito à certificação, regulamentação e fiscalização da actividade dos produtores. Tudo isto dentro de um possível novo quadro legal para as comissões regionais vitivinícolas (CVR).

O que quer isto dizer? Pode na realidade não querer dizer nada, como já é hábito no país, quando se fala de reformas. Ou seja, baralhar para dar de novo. Mas olhemos para o que se passa actualmente na indústria e em particular para o modo como se condicionam as decisões fundamentais no sector.

Para não nos alongarmos, na realidade o que se passa neste sector é semelhante ao que se passa em outras atividades no país, no que especificamente corresponde à essência do “poder corporativo”. Este “poder” é essencialmente controlado por meia dúzia de grandes operadores privados, dos quais se auto-excluem as cooperativas (por incapacidade de organização).

Sendo a indústria do vinho um sector muito fragmentado, este facto não deixa de ser peculiar. O que acontece em cada região vitivinícola é que inevitavelmente um ou dois operadores (… no máximo), que representam a maior parte do volume produzido e vendido por uma dada região, acabam por condicionar, através do sistema de eleição dos conselhos de cada CVR, as direcções dessas mesmas CVR, colocando, na maior parte dos casos, responsáveis “validados” por si à frente desses organismos. E raras são as excepções que confirmam a regra.

Aquilo que acontece em quase todas as CVR também acontece noutros organismos. Alguns deles que se suportam em orçamentos com contribuições financeiras muito significativas vinculadas pelo estado. Nada de novo, portanto. Neste caso (na indústria do vinho) a política convive muito bem com este modelo (independentemente dos partidos), até porque na sua maior parte, os maiores grupos do sector privado, que controlam esta dinâmica, são empresas modernas bem estruturadas, que trouxeram inovação e aumentaram a capacidade exportadora do país.

Os problemas surgem quando os interesses individuais de alguns desses produtores não estão totalmente alinhados com o que a maioria dos operadores considera que realmente é importante para eles. Ou ainda, quando devido ao seu poder discricionário, um desses operadores tenta aproveitar-se da sua posição de influência para gerar proveitos em causa própria. Isso é por exemplo proporcionado num desenho de um programa ou orçamento de marketing, por exemplo, que aplica as verbas disponíveis para o sector, seja a nível nacional, seja a nível regional.

Há duas formas deste tipo de situação poder correr mal. Uma delas é quando deixa de haver “um certo pudor”. A outra é quando esses ”interesses” começam a entrar em conflito, digamos assim, com a entrada em cena de novos paradigmas, ao nível comercial ou industrial, para os quais não exista ainda uma determinada …  “sensibilidade corporativa”.

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